Estamos diante de uma invenção plástica. Não é um quadro, claro. Não é uma escultura, também não é um objeto de arte.  É tudo isso e muito mais.  É uma obra plástica em tamanho natural, enorme, que sugere para fazer um mundo mais bonito.  Como se trata de uma escola (viva!), vai lavar os olhos da criançada.  Obrigado, Scliar - escreveu Darcy Ribeiro em um cartaz que abria a exposição do projeto.

A maquete do projeto ficou exposta, na escola, no final do ano de 1985.  O próprio pintor explicou aos 2.200 alunos a sua idéia.  E eles participaram, divididos em grupos de 6 a 10 anos, de 11 a 15 e de 16 a 20 anos, da pintura e dos painéis com trechos de poemas de Castro Alves, Mario de Andrade, Ferreira Gullar e Vinicius de Moraes, entre outros.

Os alunos ficaram maravilhados com a possibilidade de participar do projeto - afirmou a diretora da escola, Lúcia Velloso Maurício.  - Para eles Scliar reservou dez metros de painéis móveis, os "painéis da liberdade", nos quais puderam dar vazão à sua criatividade, da forma que acham melhor.  Um local especialmente reservado para meus pichadores.
 
Considerando o projeto da Escola Tarcísio Bueno como ótima chance para trabalhar com sua comunidade, Scliar passou meses trabalhando na paleta as cores a serem usadas na pintura.  "Estou criando um espaço novo; não fazendo minha pintura", diz Scliar, num entuiasmo total.

fotos publicadas na Revista do Brasil, ed especial Política Cultural do Rio de Janeiro, 1986