“Tanta gente tem fundação, por que eu não?  Pensando assim decidi criar a minha Fundação Darcy Ribeiro.  Foi muito bem recebida, felizmente.  Minha filha, a UnB, decidiu acolhê-la em seu campus e até construir sua sede e mantê-la.  Em compensação, recebem minha biblioteca de 30 mil livros, o arquivo documental Berta/Darcy, meus quadros e objetos de arte.

Ainda melhor que isso é o prédio que o Lelé projetou pra mim.  Será um disco voador enorme, pousado no pedaço mais bonito do campus.  A Sala de Leitura, com 250 metros de diâmetro, será prodigiosa.  Sem janelas, porque toda translúcida, graças à cobertura que deixa passar luz.  No andar térreo, ficam vários serviços, inclusive o arquivo Berta/Darcy, um centro de documentação visual sobre os índios do Brasil e um serviço de preprodução em CD-ROM das dissertações de mestrado e das teses de doutorado sobre educação.

A novidade maior é que, com medo de minha FUNDAR parecer vetusta demais, consegui do Lelé fazer dela um beijódromo, que corresponderá , em Brasília, ao Sambódromo que criei no Rio.  Trata-se de um amplo palco ao ar livre para serestas e leitura de teatro e poesia, defronte de uma arquibancada para duzentos olharem a lua cheia e se acariciarem.  Eu, lá de longe, estarei vendo, feliz.”

(Darcy Ribeiro, Confissões)

Ainda não foi possível realizar este sonho de Darcy, lá em Brasília.  A FUNDAR está instalada numa bela casa, em Santa Teresa, que ele adoraria.  Lá de longe, com certeza, ele deve estar vendo tudo, também contente da vida.