|
"(...) No Rio de Janeiro, sob a vertigem de uma perspectiva aberta,
passaram-se três anos de trabalho profícuo. Os Tombamentos,
agrupados em 40 alentados atos, abrigam mais de 150 bens individuais.
Além da praia de
Grumari (1984) no Rio, onde 10 km de praias, ilhas e pontões e suas
paisagens, vai sustar a expansão urbana predatória, outros 20 trechos do
litoral fluminense (continental e insular), somando mais de 95km, foram
também tombados (1985). De Paraty ao norte do estado, preservaram-se
trechos da floresta atlântica, as praias recônditas que lhe ficam no
sopé, as ilhas próximas, as pontas e pontões rochosos e os povoados
de pescadores que, por assim dizer, convivem simbioticamente com os
ecossistemas, na naturalidade de suas vidas simplíssimas. O
manguezal da foz do Paraíba do Sul somou-se a esse acervo, além dos 15
milhões de metros quadrados das Dunas,
entre Cabo Frio e Arraial do Cabo. Esse tipo de tombamento (não
exatamente o mesmo, natural, histórico e quase artístico, do Corcovado e
do Pão de Açúcar) exige, como já se dise, novos procedimentos.
As Dunas e o Manguezal impõem um trabalho conjunto com a Fundação
Estadual de Engenharia do Meio Ambiente. Os renques de casas de
pescadores, mesmo tombados, não podem ser controlados como igrejas
barrocas, ou palacetes neo-clássicos.
Nesses casos, como de outros bens mais simplórios (...) as pedras de Itapuca, dos Índios e dos Cardos em Niterói; da
Moreninha
e dos Namorados em Paquetá, ou em dezenas de outros - a própria e
relativa fragilidade dos valores em causa e seus suportes físicos, tem
levado o nosso patrimônio a valer-se da ativação cultural para
intermediar pela música, pelo teatro, pelas artes visuaise pelos meios
eletrônicos e de comunicação, a passagem entre afetividade local e os
padrões mais sofisticados de prática educacional.
(...) Na fazenda Colubandê, em S. Gonçalo, sabidamente a mais bela
edificação rural de 400 anos de história brasileira, um conjunto de
réplicas do nosso melhor mobliário de época será instalado nas salas
da Casa Grande, quando acabar a primorosa restauração em curso. No
porão habitável, um laboratório de clonagem botânica permitirá a
microreprodução de árvores frutíferas, idênticas a exemplares de
qualidade excepcional plantados nos 12 hectares verdes da Fazenda.
Esse Santuário de Frutas, Pássaros e Flores, aberto ao povo do
município, constituirá acervo vivo de uma memória doméstica quase
esquecida nas cidades brasileiras e será destinado, além do seu gozo
imediato, ao repovoamento dos quintais da baixada fluminense e as trocas
com outros pomares nacionais.
(...) Vê-se que as primeiras diretrizes foram generosamente atendidas.
Uma nova tonalidade regeu de fato a nossa ação.
|
|