Em suas Confissões, Darcy Ribeiro diz que a morte de Vargas
caiu como uma bomba sobre ele, operando uma mudança ideológica
radical na sua forma de ver e sentir os problemas do Brasil. “Desde
então, diz Darcy, afastei-me dos comunistas e acerquei-me
dos trabalhistas”.
E foi nessa trajetória que veio a conhecer, primeiro, João
Goulart e, depois, Leonel Brizola, ambos profundamente identificados
com os trabalhadores e com a Nação brasileira, sentimentos
que lhes custou, aos três, anos de exílio impostos
pelo golpe militar de 1964.
A amizade de Darcy Ribeiro e Leonel Brizola se consolidou no tempo
em que ficaram afastados do Brasil.
Ao voltar do exílio, aos olhos de Darcy, Brizola se constituía
num dos principais líderes socialistas latino-americanos.
Foi com imensa vontade de passar o país a limpo que se
uniram na formação do Partido Democrático
Trabalhista, legenda sob a qual Brizola viria a ser, por duas
vezes, Governador do Estado do Rio de Janeiro. Nos dois períodos,
Darcy Ribeiro surgiria como um dos mais profícuos colaboradores
de Brizola, encarregado de coordenar a implantação
dos Centros Integrados de Educação Pública.
Em 1994, Brizola e Darcy foram os candidatos do PDT à Presidência
e à Vice-Presidência da República. Perderam
a eleição, mas não a vontade de continuarem,
juntos, a pensar soluções para o Brasil. Quando,
em 1996, Darcy instituiu a Fundação que levaria
seu nome, convidou Leonel Brizola para seu Conselho Curador, como
membro nato e vitalício. Até seu falecimento, em
21 de junho de 2004, Brizola foi um atuante Conselheiro da FUNDAR,
encaminhando com sabedoria soluções importantes
que tiveram de ser buscadas pela Fundação.