Volume 1: "O Processo Civilizatório é uma revisão crítica das teorias da evolução sociocultural e a proposição de um novo esquema da evolução humana, elaborado com o propósito específico de estabelecer categorias classificatórias aplicáveis ao estudo da evolução dos povos americanos do passado e do presente. (...) Na elaboração de O processo retomo a visão de Marx nos Grundrisse, que, uma vez publicado, deixou o marxismo sem voz porque desautorou as teorias de Engels, e sigo as linhas básicas do pensamento neo-evolucionista de Gordon Childe, Leslie White, Julian Steward, Karl Wittfogel, Marvin Harris, e muitos mais. Mas tenho a atenção sempre posta não só na copiosíssima documentação reunida pelos arqueólogos e etnólogos como também nos estudos recentes da história moderna e contemporânea, sobretudo nas sínteses interpretativas." (Darcy Ribeiro, Testemunho, São Paulo, Ed. Siciliano, 1991, p. 82 e 86/87).
A ousadia de escrever um livro tão ambicioso me custou algum despeito
dos enfermos de sentimentos de inferioridade, que não admitem a um
intelectual brasileiro o direito de entrar nesses debates, tratando de matérias
tão complexas. Sofreu restrições, também, dos
comunistas, porque não era um livro marxista, e dos acadêmicos
da direita, porque era um livro marxista. (...) A explicação
que oferece para 10 mil anos de história é ampla demais. (...)
Era o que podia dar como alternativa aos textos clássicos, com que
geralmente se trabalhava esse tema. Um esquema conceitual mais verossímil
e mais explicativo do que os disponíveis, através da proposição
de novas revoluções tecnológicas como motores da história,
de novos processos civilizatórios e de novas formações
socioculturais. Vista sob essa luz, a nossa realidade se retrata em seus
traços mais gerais, resultando num discurso explicativo útil
para fins teóricos e comparativos, mas insuficiente para dar conta
da causalidade da nossa história." (Darcy Ribeiro, O Povo Brasileiro,
Ed. Companhia das Letras, 1995, p.14)