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Gestão da Escola:
Autonomia, Eleição de Diretores e
outras Reflexões
A gestão democrática da escola pública
tem sido um dos desafios destes tempos pós-LDB. O horizonte desse
conceito de gestão é o da construção da cidadania
que inclui a noção de autonomia, participação,
construção partilhada, pensamento crítico em oposição
à idéia de subalternidade, mas envolve, também, a
de responsabilidade, prestação de contas, bem comum, espaço
público. Na gestão democrática, a ideologia da burocracia
como um fim em si mesma é substituída pela de organização
que tem a finalidade de levar a escola a desempenhar com êxito o
seu papel. A questão da administração competente
da escola pública, sem dúvida, está articulada com
a competência técnica, humana e política, que vai
assegurar uma adequada percepção da realidade concreta que
cerca a escola.
Uma escola democrática é aquela que por entender o seu caráter
político, ultrapassa práticas sociais alicerçadas
na exclusão, na discriminação, na apartação
social que inviabilizam a construção do conhecimento; por
perceber a dimensão humana do processo ensino-aprendizagem, aposta
no crescimento pessoal, interpessoal e intragrupal, vinculado às
relações sócio-históricas em que se dá
esse processo; por considerar que o fato de administrar uma escola tem
uma dimensão técnica, preocupa-se em organizar, numa ação
racional, intencional e sistemática, as condições
que melhor propiciem a realização de sua finalidade, lembrando
sempre que este aspecto não é neutro nem apenas instrumental.
Quando todas essas dimensões se articulam, eleger o/a diretor/a
da escola, buscar a participação mais expressiva de professores
e professoras, pessoal de apoio administrativo, pais, mães, responsáveis,
alunos e alunas no cotidiano da escola e oferecer à população
educação de qualidade, que é direito de todos, é
algo que se constrói na própria dinâmica do processo.
A gestão da escola pública passa, necessariamente, pelo
entendimento de que administrar uma escola é possibilitar que crianças
e jovens, de quaisquer camadas sociais, se apropriem do conhecimento e
construam valores e que isso só ocorrerá se ela se organizar
pedagogicamente para isso.
Para realizá-la e para que não seja destituída de
sentido, a gestão do processo educacional tem que entender-se,
sobretudo, como participante de um processo maior , que é o de
tornar o ensino financiado pelo Estado um ensino efetivamente público,
superando práticas de privatização da escola pública
que é, afinal, de toda a população.
Além disso, é preciso o entendimento de que para se tornar
um instrumento de "controle democrático" do Estado, a
serviço da educação, a escola, enquanto instituição
social, tem que se preocupar com o que o Professor Pedro Demo chama de
"qualidade política", isto é, com a superação
da qualidade formal . Diz ele que
educação não pode se bastar
com qualidade formal,
porque seu signo mais profundo é a qualidade política, que
é fim.
(Demo, 1997: 20)(1)
Portanto, a eleição de diretores e diretoras
não pode ser, sozinha, indicador de que a gestão da escola
é democrática. É fundamental, para que a democracia
se instale no sistema público de ensino, que seja assegurado a
todos os alunos e alunas o acesso ao conhecimento, seja ele ou ela proveniente
de qualquer parte do país, originário desta ou daquela classe
social, deste ou daquele grupo étnico, seja católico, evangélico,
umbandista ou judeu. É preciso, ainda, que o poder público
tome verdadeiramente a seu cargo a função de oferecer as
condições materiais e pedagógicas para que os professores
realizem o seu trabalho de educar as novas gerações, além
de desenvolver políticas concretas de capacitação
dos profissionais que administram as escolas de seu sistema, criando mecanismos
institucionais para um eficiente e eficaz planejamento, coordenação,
acompanhamento e avaliação da ação educativa
e de controle da aplicação dos recursos públicos
de que a escola vier a dispor.
(1) DEMO, P. A nova LDB: ranços e avanços.
Campinas: Papirus, 1997.
Carmen Maria Rangel
(Fundação Darcy Ribeiro)
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